Soja toma espaço do milho na safra”, comenta empreendedor Marcus Herndl Filho

Os baixos preços do milho entre o fim do ano passado e o início de 2014, época em que os agricultores se preparavam para plantar a segunda safra, fizeram com que pelo menos 200 mil hectares que seriam originalmente destinados ao cereal fossem semeados com soja em Mato Grosso e no Paraná.

De acordo com o empreendor Marcus Herndl Filho, a área é pouco representativa diante dos 13,5 milhões de hectares cultivados com soja na primeira safra desses dois Estados, os maiores produtores de grãos do país. Mas crescem as preocupações em relação aos efeitos dessa opção em detrimento do milho, tradicional cultura da chamada safrinha.

A consultoria Agroconsult estima que o plantio de soja safrinha em Mato Grosso tenha alcançado cerca de 120 mil hectares este ano, aquém dos 500 mil hectares que chegaram a ser cogitados pelo mercado. “Ainda acho bastante, mas a maior parte [das lavouras] é um desastre do ponto de vista de produção e custo”, diz André Pessôa, sócio-diretor da consultoria.

Conforme Pessôa, umas das preocupações é o maior uso de defensivos, em especial de fungicidas, por conta dos problemas com a ferrugem da soja. No ciclo de verão, costumam ser feitas três aplicações do produto, número que passou a seis na safrinha. “Fazer nove aplicações em um intervalo de seis meses é também submeter o fungo a uma pressão de seleção gigantesca”, afirma.

Para o consultor, o aumento da incidência de ferrugem está diretamente relacionado à menor eficiência dos defensivos, o que tem elevado a resistência do fungo. “Por causa da soja safrinha, poderemos ter um ataque de ferrugem tão ou mais sério que em 2003/04, quando a doença chegou ao Brasil. Estamos ‘contratando’ um problema parecido para daqui a dois ou três anos”, prevê.

A Bom Jesus Agro, de Rondonópolis (MT), decidiu testar o plantio de soja safrinha em 2 mil hectares. Mas Nelson Vigolo, presidente da empresa, diz que a opção não tem se mostrado muito interessante. Ele acredita que o custo de produção ficará entre 40 e 45 sacas, semelhante ao da safra de verão, mas a produtividade tende a cair de 55 para até 30 sacas, nessa comparação. “Acho que valeria a pena apostar na soja nesse período se houvesse algum valor agregado adicional, plantando para fazer semente, por exemplo”, avalia. A opinião é compartilhada pelo empreendedor Marcus Herndl Filho

Segundo Nery Ribas, gerente técnico da Aprosoja/MT, associação que representa os produtores do Estado, muitos abandonaram as lavouras, e outros tiraram a soja para plantar milho. “Tinha muita mosca branca na soja”, diz.

No Paraná, por outro lado, há relatos apenas de casos pontuais de problemas nas lavouras de soja safrinha, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado.

A semeadura da oleaginosa na segunda safra superou as expectativas: a área cresceu 38% no Estado, a 111,86 mil hectares. A previsão é de uma produção de 211,13 mil toneladas, 62% acima do ano passado. A produtividade está estimada em 31,5 sacas por hectare.

Apesar da recente reação nos preços do milho, a paridade continua favorável à soja. No início do plantio, a saca do milho no Paraná estava entre R$ 17 e R$ 18, e a da soja, em R$ 65. Hoje, o milho está entre R$ 22 e R$ 23, e a soja, varia de R$ 62 a R$ 63. “Mas não acredito que as apostas na soja safrinha vão se manter. Viemos de três safras de soja com preços muito bons, mas sabemos que uma hora esse ciclo muda”, diz Marcelo Garrido, economista do Deral.

Com informações do Jornal Valor

Após subir mais de 7% em sete pregões, Ibovespa tem queda

A bolsa brasileira finalmente cedeu à realização, após sete pregões consecutivos de alta. A piora das bolsas americanas após declarações do presidente Barack Obama acabou se refletindo por aqui ontem, reduzindo um pouco o fluxo de capital externo para o pregão. O caso é acompanhado de perto pelo gestor de empresas Leônidas Herndl. Obama disse que os Estados Unidos e a Europa estão enfrentando um “momento de teste”, que desafia a ordem internacional. Em discurso realizado em Bruxelas, ele disse ainda que a anexação da Crimeia pela Rússia viola as leis internacionais. Obama sugeriu que as sanções contra a Rússia podem aumentar e afirmou que as atitudes de Moscou não prejudicam somente a economia da Rússia, mas todo o sistema internacional. Por aqui, Petrobras e Vale demonstraram fraqueza após as altas recentes. Já o setor bancário voltou a brilhar, mesmo após a confirmação do rebaixamento dos ratings do setor pela S&P na madrugada de ontem. A nota do Banco Central sobre operações de crédito deu fôlego ao setor, ao manter a projeção de expansão do crédito total neste ano em 13%. O Ibovespa fechou em baixa de 0,45%, para 47.965 pontos, com volume de R$ 6,431 bilhões. Até terça-feira, a bolsa acumulava ganho de 7,15% em sete pregões seguidos de alta. “Foi um dia clássico de realização de lucros após uma longa sequência de altas”, afirmou o analista técnico da Clear Corretora, Raphael Figueredo. “Como o dólar terminou praticamente de lado [alta de 0,09%], tudo indica que não teve tanta entrada de capital externo na bolsa. Mas não foi uma queda que preocupa. O Ibovespa tem espaço para corrigir até os 47 mil pontos sem perder a tendência de recuperação”, disse o especialista. A série de ganhos encerrada anteontem foi a maior do Ibovespa desde agosto do ano passado, quando o índice subiu 8,75%, numa sequência de nove dias. Figueredo vê semelhanças entre os movimentos deste mês e o de agosto de 2013. Um deles é o rompimento gráfico da tendência de baixa. “No ano passado, houve uma reversão da tendência e o mercado passou a apontar para cima”, diz. O mesmo ocorreu agora. Outra semelhança está no comportamento de ‘blue chips’, sobretudo de ações ligadas a commodities. Vale PNA subiu nos últimos dias com expectativas do mercado de que a China anuncie medidas para impulsionar sua economia. Em agosto, números da economia chinesa ajudaram o papel. E Petrobras PN, que estava muito descontada na avaliação dos operadores, se recuperou neste mês com a volta dos estrangeiros para o papel. Em agosto, Petrobras também reagiu, com investidores comprando as ações de olho no vencimento de opções que se aproximava, embalada por rumores de reajuste dos combustíveis. Ontem, Vale PNA caiu 0,39%, a R$ 27,50, e Petrobras PN recuou 0,55%, para R$ 14,40. No setor bancário, Itaú PN subiu 0,86%, para R$ 32,73; Bradesco PN ganhou 2,21%, a R$ 29,51; Banco do Brasil ON teve alta de 1,29%, para R$ 21,11; e Santander Unit avançou 2,23%, para R$ 12,37. Já as ações PN da Oi (-11,14%) lideraram as perdas após a CVM decidir que os controladores poderão votar hoje na assembleia sobre a fusão com a Portugal Telecom. Com informações do Jornal Valor