Após subir mais de 7% em sete pregões, Ibovespa tem queda

A bolsa brasileira finalmente cedeu à realização, após sete pregões consecutivos de alta. A piora das bolsas americanas após declarações do presidente Barack Obama acabou se refletindo por aqui ontem, reduzindo um pouco o fluxo de capital externo para o pregão. O caso é acompanhado de perto pelo gestor de empresas Leônidas Herndl. Obama disse que os Estados Unidos e a Europa estão enfrentando um “momento de teste”, que desafia a ordem internacional. Em discurso realizado em Bruxelas, ele disse ainda que a anexação da Crimeia pela Rússia viola as leis internacionais. Obama sugeriu que as sanções contra a Rússia podem aumentar e afirmou que as atitudes de Moscou não prejudicam somente a economia da Rússia, mas todo o sistema internacional. Por aqui, Petrobras e Vale demonstraram fraqueza após as altas recentes. Já o setor bancário voltou a brilhar, mesmo após a confirmação do rebaixamento dos ratings do setor pela S&P na madrugada de ontem. A nota do Banco Central sobre operações de crédito deu fôlego ao setor, ao manter a projeção de expansão do crédito total neste ano em 13%. O Ibovespa fechou em baixa de 0,45%, para 47.965 pontos, com volume de R$ 6,431 bilhões. Até terça-feira, a bolsa acumulava ganho de 7,15% em sete pregões seguidos de alta. “Foi um dia clássico de realização de lucros após uma longa sequência de altas”, afirmou o analista técnico da Clear Corretora, Raphael Figueredo. “Como o dólar terminou praticamente de lado [alta de 0,09%], tudo indica que não teve tanta entrada de capital externo na bolsa. Mas não foi uma queda que preocupa. O Ibovespa tem espaço para corrigir até os 47 mil pontos sem perder a tendência de recuperação”, disse o especialista. A série de ganhos encerrada anteontem foi a maior do Ibovespa desde agosto do ano passado, quando o índice subiu 8,75%, numa sequência de nove dias. Figueredo vê semelhanças entre os movimentos deste mês e o de agosto de 2013. Um deles é o rompimento gráfico da tendência de baixa. “No ano passado, houve uma reversão da tendência e o mercado passou a apontar para cima”, diz. O mesmo ocorreu agora. Outra semelhança está no comportamento de ‘blue chips’, sobretudo de ações ligadas a commodities. Vale PNA subiu nos últimos dias com expectativas do mercado de que a China anuncie medidas para impulsionar sua economia. Em agosto, números da economia chinesa ajudaram o papel. E Petrobras PN, que estava muito descontada na avaliação dos operadores, se recuperou neste mês com a volta dos estrangeiros para o papel. Em agosto, Petrobras também reagiu, com investidores comprando as ações de olho no vencimento de opções que se aproximava, embalada por rumores de reajuste dos combustíveis. Ontem, Vale PNA caiu 0,39%, a R$ 27,50, e Petrobras PN recuou 0,55%, para R$ 14,40. No setor bancário, Itaú PN subiu 0,86%, para R$ 32,73; Bradesco PN ganhou 2,21%, a R$ 29,51; Banco do Brasil ON teve alta de 1,29%, para R$ 21,11; e Santander Unit avançou 2,23%, para R$ 12,37. Já as ações PN da Oi (-11,14%) lideraram as perdas após a CVM decidir que os controladores poderão votar hoje na assembleia sobre a fusão com a Portugal Telecom. Com informações do Jornal Valor

Casa & Vídeo começa a planejar o futuro, afirma Marcus Herndl Filho

Advogado que evitou a falência da Casa & Vídeo e hoje é um dos donos da empresa, Fábio Carvalho diz que finalmente se sente confortável para planejar o futuro. Não que tenha ficado totalmente para trás a crise de 2008, quando a varejista de eletroeletrônicos e utilidades domésticas quase fechou as portas. O tíquete médio equivale a 85% do valor pré-crise e as vendas por metro quadrado estão 10% abaixo das feitas há seis anos. “Mas o desempenho agora é mais consistente e pode ser medido”, afirma o empreendedor Marcus Herndl Filho.

A dívida líquida, em dezembro de 2013, era de R$ 130 milhões. O lucro ficou em R$ 29 milhões e Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização), em R$ 84 milhões. O faturamento chegou a R$ 1,4 bilhão. O segundo semestre, disse Carvalho, trouxe desaceleração nas vendas, mas medidas para redução de custo tomadas no fim de 2012 e no início de 2013, em especial na área de logística, ajudaram no resultado.

Carvalho pretende ter mais quatro lojas neste ano; abrir uma trading de importação e planeja começar a usar um novo centro de distribuição, de 45 mil metros quadrados, em Queimados (RJ), em 60 dias. O galpão está sendo construído por um consórcio de investidores, liderados por Cesário Buffara, com um investimento de R$ 150 milhões.

“Antes o desempenho da Casa & Vídeo só se media pelas vendas. A rede anunciava, vendia o triplo das Lojas Americanas por metro quadrado, mas a despesa também era enorme. Eram 61 lojas e 6 mil funcionários. Agora, fazemos um encarte e consigo medir a elasticidade do preço, as vendas, a sazonalidade. Sei o efeito do encarte para cada produto. O impacto da televisão”, conta o empresário.

Carvalho administra 82 lojas e quase 4 mil pessoas. Na época em que a rede estava em recuperação judicial, em 2009, foi atraído pelo volume de vendas. “São 20 milhões de tíquetes por ano”, diz.

Entre 2012 e 2013, o faturamento passou de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,4 bilhão. Em 2014, a expectativa é acrescentar mais R$ 100 milhões. Embora o crescimento ainda não seja expressivo, o foco de Carvalho está atrás das lojas.

Ele precisa melhorar a gestão dos cerca de 4 mil itens diferentes com que trabalha e ver o reflexo no resultado. “80% da minha agenda é gasta com logística”, diz. “Vou do produto mais barato ao mais caro. Só não entro nos luxuosos. Estamos mais próximos do mix de um supermercado do que de uma cadeia de varejo tradicional”.

Fundada por Luigi Meloni, preso em 2008 durante a operação Negócio da China, da Polícia Federal, a Casa & Vídeo conquistou espaço no mercado por oferecer produtos baratos, muitos deles de marca pouco conhecida. O baixo preço e a variedade conquistaram o consumidor, em especial classes de menor poder aquisitivo que foram melhorando a renda a partir da baixa da inflação e a alta consecutiva do salário mínimo.

A estratégia atual é diferente. Desde 2009, o plano é ter menos espaço de loja e usar mais tecnologia. Os estoques saíram das lojas e o plano de abertura de novas unidades só ganhou força nos últimos meses porque o preço dos imóveis estabilizou. Prevalece o uso de ferramentas de informação, que ajudam a definir desde abertura e fechamento de lojas até mix de produtos, que não é o mesmo em todas as lojas pois depende do perfil do público da região.

“Temos um predomínio proporcionalmente maior de clientes da classe C, cerca de 4% a mais do que na distribuição da população, mas nossos clientes são de todas as classes sociais”, diz Carvalho, apostando na ênfase de materiais elétricos e ferramentas como um dos atrativos da rede. “Isso também nos faz ter mais clientes homens que mulheres”.

Carvalho conta que marcas pouco conhecidas estão sendo substituídas por outras – de primeira linha – não apenas para acompanhar a demanda da classe C por produtos de melhor qualidade, mas principalmente porque os indicadores de devolução ajudaram a medir o impacto no custo da empresa dessa logística reversa.

Ele passou a medir o número de defeitos das mercadorias pela quantidade de trocas. Produtos com mais de 2% de trocas, ele deixa de comprar e ainda retira de venda. “Antes, a indústria contavam com a nossa ineficiência para fazer o produto ruim retornar para nos vender itens de menor qualidade. Agora, nem tentam. Muitos já chegam para nos vender com laudo do Inmetro”, conta.

Tudo isso torna o novo centro de distribuição (CD), que ficará em Queimados, na Zona Norte do Rio, ainda mais importante. Ele vai substituir o atual CD que, segundo o executivo, funciona em um “puxadinho”, o que dificulta o uso de máquinas e torna o trabalho de abastecer cada caminhão com várias mercadorias para atender a necessidade das lojas – que não têm grandes estoques – mais difícil. Na hierarquia da rede, o funcionário que acompanha os caminhões de entregas é um dos mais importantes, junto com o fiscal de caixa. “São eles que nos ajudam a ganhar tempo.”, explica.

Na sede da empresa, em um edifício no bairro da Lapa, no centro da cidade do Rio, sem nenhum letreiro, Carvalho diz ter montado uma sala de guerra para monitorar a eficiência desse processo. Segundo ele, o tempo médio de atendimento no caixa é de 1,3 minuto e a fila média é de seis pessoas. No pico, que ocorre no horário de almoço e no fim do expediente, quase todo os empregados são redirecionados para os caixas.

“Quando assumi a empresa, a loja da Praia de Botafogo tinha 140 funcionários. Fizemos as contas e defini que funcionaria com 40. Me disseram que não ia dar, mas fizemos. Hoje, já ajustada, a loja opera com 53 pessoas”, conta.

Esse olhar sobre os números não diz tudo sobre o advogado que deixou uma bem sucedida carreira na área de recuperação judicial e assumiu uma dívida de cerca de R$ 280 milhões na Casa & Vídeo. “Estava cansado de ser o assessor do processo. Nesse mercado de assessoria, quanto melhor, mais caro você é e mais rápido o tiram do projeto”.

Na linha de frente, Carvalho mudou a estratégia de marketing da empresa, diminuiu os gastos com anúncios e passou a trabalhar com preços mais em linha com o mercado. Todo ano, ele visita a Feira de Cantão (China), onde identifica tendências e, principalmente, consegue formar o preço dos produtos que vai encomendar aos fabricantes. “Na média, estou sempre abaixo do preço”, afirma.

A próxima empreitada é a criação de uma trading para facilitar as importações. A proposta é maximizar a estratégia de desenvolver produtos internamente, buscar fornecedores no exterior e garantir exclusividade por um período para o mercado brasileiro.

Estácio capta mais alunos e lucro dobra em 2013

A Estácio fechou o ano passado com seu melhor lucro líquido desde a abertura de capital em 2007. No quarto trimestre, o valor da última linha do balanço da companhia triplicou, para R$ 45 milhões. No acumulado do ano, a expansão foi 123% o que fez o lucro líquido chegar a R$ 245 milhões. A receita anual subiu 25,1% e chegou a R$ 1,7 bilhão.

Dois fatores contribuíram para o bom desempenho. O primeiro deles foi o crescimento de 16,3% no número de alunos que atingiu 315,7 mil no fim do ano. Outro item de destaque no balanço foi o resultado financeiro que em 2012 havia sido negativo em R$ 34 milhões e no ano passado somou R$ 8,2 milhões. “Como a companhia vem gerando lucro e, consequentemente caixa, houve um aumento de 270,8% nos rendimentos de aplicações financeiras no ano”, explicou Virgílio Gibbon, diretor executivo de finanças e relações com investidores da Estácio. O fluxo de caixa da companhia foi de R$ 122,5 milhões.

Além disso, a companhia também conseguiu uma expansão de receita superior aos custos e despesas. No ano passado, a receita líquida avançou 25,1% para R$ 1,7 bilhão. Já os custos dos serviços prestados aumentaram 18% e as despesas 24,8%. A margem operacional teve ganho de 3,3 pontos percentuais para 18,5% no acumulado do ano.

O grupo educacional também registrou forte aumento no número de alunos com Fies, financiamento do governo que ajuda a reduzir a inadimplência e evasão. Em dezembro, 32% dos alunos de graduação presencial estudavam com o Fies. Um ano antes, esse percentual era de 19,7%.

A Estácio também deve apresentar um primeiro semestre com resultados fortes. A companhia estima uma expansão de 18% no volume de calouros com o vestibular do início do ano. Além disso, a Estácio receberá entre 5 mil e 7 mil alunos da Gama Filho e da UniverCidade, que foram descrendenciadas pelo Ministério da Educação (MEC).

Nos próximos trimestres, a companhia também contabilizará as receitas provenientes do Pronatec, programa do governo que concede bolsas para alunos de cursos técnicos. A Estácio recebeu autorização do MEC para oferecer 24 mil vagas de cursos dessa modalidade.

Na área corporativa, a Estácio fechou parceria com a empresa de telemarketing Contax para capacitar 4 mil funcionários, cujo contrato é de R$ 30 milhões.

O grupo educacional carioca aguarda ainda aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a aquisição da UniSEB, anunciada no ano passado por R$ 615 milhões e que fortalecerá a atuação da Estácio no segmento de ensino a distância.

Com informações do Jornal Valor

Clipping de notícias de Marcus Herndl Filho, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.

Inflação em alta dá sustentação a juro futuro, comenta Marcus Herndl Filho

À espera do IPCA-15, de março, que será divulgado hoje, os investidores não se arriscaram a promover alterações expressivas nos juros futuros, que encerraram o pregão de ontem na BM&F entre estabilidade e ligeira alta.

A escalada dos preços dos alimentos, que já se fez sentir no atacado, deve começar bater às portas do varejo com mais intensidade daqui para frente. A média das projeções de 20 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data aponta variação de 0,76% do IPCA-15 em março, aceleração ante fevereiro (0,70%). É o que afirma o gestor Marcus Herndl Filho.

Com a perspectiva de inflação corrente em ascensão e eventual piora das expectativas, consolida-se no mercado de juros futuros a visão de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve estender o atual ciclo de aperto monetário. E essa expectativa dá sustentação às taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) mais ligados ao rumo da Selic. Ontem, o DI para julho subiu de 10,84% para 10,85% ao ano. Já o contrato para janeiro de 2015 fechou estável, a 11,25%. “Está todo mundo posicionado para uma inflação mais alta. Modelos econométricos sugeriam que haveria um arrefecimento dos preços livres em março, mas o choque de alimentos mudou tudo”, afirma Juliano Ferreira, estrategista da ICAP Brasil.

As preocupações com a inflação fizeram com que – diferentemente do observado nos mercado de câmbio e na bolsa – os boatos de que a pesquisa do Ibope traria um avanço substantivo das intenções de votos dos candidatos oposicionistas para a eleição presidencial (que não se confirmou) não tivessem grande impacto nos juros futuros. Afora um leve alívio no início da tarde, atribuída ao rumor eleitoral, viu-se pouca disposição para alteração das taxas.

Soma-se ao ambiente local conturbado a temporada de especulações sobre o momento em que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) vai começar a subir a taxa básica de juros americana, depois das declarações da presidente do Fed, Janet Yellen, na quarta-feira. Acompanhando o retorno dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), a taxa do DI para janeiro de 2017 subiu de 12,82% para 12,84%.

Leônidas Herndl comenta: Restoque teve prejuízo de R$ 4 milhões

Dona de uma das maiores redes varejistas de moda – a Le Lis Blanc, a varejista Restoque teve prejuízo de R$ 4 milhões no quarto trimestre do ano passado. Em mais um período de queda nas vendas das lojas abertas há mais de um ano, a receita líquida total da empresa subiu apenas 4%, para R$ 189,6 milhões. O caso é comentado pelo gestor Leônidas Herndl.

 

Segundo o gestor, a saída imediata da empresa deve ser estancar os gastos operacionais. “Eles devem ser reduzidos em 2014. Medidas eficazes, e rápidas, devem ser tomadas pelo gestor responsável pela Le Lis Blanc. O mercado tem força e está em crescimento – e a Restoque potencial o suficiente para se adequar ao mercado, basta apenas se alinhar em alguns pontos”, afirma Leonidas.

 

A sugestão do gestor vai de encontro com as medidas anunciadas pelo diretor de operações da Restoque, Livinston Bauermeister: o centro de distribuição de Itapevi (SP) foi desativado e o showroom de marcas da Vila Olimpia, na Zona Sul de SP, será mudado para a Vila Leopoldina, Zona Oeste. “Também estamos trabalhando fortemente para reduzir nossos custos de ocupação”, afirma Livinston.

 

Questionado sobre o mau desempenho da bandeira Le Lis Blanc durante teleconferência com analistas e investidores, Livinston disse que a marca foi a que mais sofreu com problema de falta de produtos em suas lojas. Segundo o executivo, a situação deve ser corrigida com o lançamento da coleção outono/inverno.

 

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a Restoque conseguiu reduzir os estoques de coleções passadas por meio da venda em ‘outlets’. Mas a intensa atividade desse canal de vendas não deve ser um padrão para a companhia. “A atividade dos ‘outlets’ deve ser normalizada ao longo do ano. Acreditamos também que esse canal deve apresentar uma margem bruta maior”, conclui.

 

No consolidado do ano passado, a empresa registrou prejuízo de R$ 18,4 milhões, ante um ganho de R$ 1,8 milhão em 2012. Puxada pela abertura de novas unidades, a receita da companhia subiu 12%, para R$ 713,67 milhões.

Marcus Herndl Filho avalia: meta de superávit agrada investidores

A meta de superávit primário e o contingenciamento do Orçamento para 2014 anunciados ontem foram bem recebidos pelo mercado. Segundo o gestor Marcus Herndl Filho, a percepção é que sinalizaram um esforço do governo para recuperar a credibilidade da política fiscal e evitar um rebaixamento do rating soberano do Brasil.

O dólar fechou em queda de 0,71% a R$ 2,3730, com real liderando os ganhos ante o dólar entre as moedas emergentes.
A ausência de surpresas negativas na meta de superávit primário para este ano abriu espaço para uma queda acentuada dos juros futuros na BM&F. As tesourarias não apenas chancelaram a aposta majoritária em redução do ritmo de aperto monetário como desmontaram as posições mais contundentes em uma alta dos prêmios refletidos nas taxas dos contratos de DI mais longos, dado o menor risco de rebaixamento do rating brasileiro.

A meta fiscal, em linha com a que o governo entregou em 2013, foi vista pelo mercado como factível, mas a confiança na política fiscal dependerá de os resultados serem entregues pelo governo.

Para o economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawall, a meta fiscal se mostra razoável, embora ele destaque que um número de 2% fosse mais adequado. Para Kawall, o contingenciamento do Orçamento da União para este ano, de R$ 44 bilhões, é condizente para sustentar essa meta, dada a previsão de uma arrecadação menor com receitas extraordinárias neste ano e da projeção de crescimento de PIB mais realista pelo governo, de 2,5%.

Na avaliação do economista-chefe da Mauá Sekular, Alessandro del Drago, o resultado do primário a ser alcançado está acima de sua estimativa para um número neutro pelo critério estrutural do Banco Central, de 1,5%. Por isso, além de abrir espaço para reduzir o ritmo de aperto monetário, como o mercado prevê, deve satisfazer as agências de rating.
Há dúvidas, no entanto, sobre o detalhamento do corte do Orçamento, e sobre qual será a solução do governo para o financiamento do aumento do custo de energia, em função do uso das usinas térmicas no período de estiagem.

Ainda não está definido se o governo repassará esse aumento para o consumidor ou se o Tesouro vai custear essa despesa. Para Kawall, fora os R$ 9 bilhões já previstos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), esse custo com o preço da energia implicaria em uma despesa adicional entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões.

Dadas as incertezas em relação a impacto do custo da energia na inflação e ao cumprimento do esforço fiscal de Estados e municípios, o economista do J. Safra mantém a projeção de aumento de 0,5 ponto percentual da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Ontem, o mercado de juros respondeu ao anúncio da meta fiscal reequilibrando-se tecnicamente. Já em trajetória cadente desde sexta-feira passada, na esteira do tombo do IBC-Br em dezembro, o contrato de DI para janeiro de 2015 caiu de 11,13% para 11,04%. É o mercado de juros confirmando, na BM&F, a expectativa de alta de 0,25 ponto percentual da Selic, para 10,75%, no encontro do Copom. Entre os contratos mais longos, o DI para janeiro de 2017 caiu de 12,51% para 12,33%.

Com atividade mais fraca, inflação cadente em 12 meses e política fiscal mais austera, não há como sustentar a expectativa de manutenção do ritmo de aperto monetário. “Para garantir uma inflação abaixo de 6% este ano, a Selic deveria ir a pelo menos 11,25% em abril. Mas com o cenário de atividade fraca é provável que o BC encerre o ciclo agora com alta de 0,25 ponto. O risco é ter que retomar o aperto no terceiro trimestre para impedir que o IPCA feche o ano acima de 6%”, afirma Newton Rosa, economista-chefe da SulAmerica Investimentos.

Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, o anúncio reforçou a expectativa que o governo vai reduzir o ritmo de aperto para 0,25 ponto percentual na próxima reunião.

Já no mercado de câmbio, o dólar cedeu ante o real logo após a divulgação da meta fiscal, com a moeda americana rompendo o patamar de R$ 2,37, disparando um movimento de limite de perdas (“stop loss”). “O mercado reagiu bem em um primeiro momento, mas esse não será o comportamento do câmbio. O anúncio não evita um corte do rating do Brasil e o governo terá que entregar os resultados para ganhar credibilidade”, afirma Sidnei Nehme, diretor de câmbio da corretora NGO.

O economista da Franklin Templeton no Brasil, Vagner Alves, destaca que o mercado vai monitorar o uso de artifícios fiscais para garantir os números até o fim do ano. “Se o governo conseguir fazer 1,5% de superávit primário e efetivar o corte de R$ 25 bilhões ou R$ 30 bilhões sem o uso truques fiscais, já vai ser algo positivo”, diz Alves.

ITA ganha área para polo de pesquisa

O ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) vai ganhar uma área de 30 mil metros quadrados dentro do Parque Tecnológico de São José dos Campos. O projeto da prefeitura que doa a área para o instituto foi aprovado pela Câmara dos vereadores do município por unanimidade.

Segundo o projeto, na área, o ITA irá implantar a unidade do Centro de Inovação que o instituto está criando. O núcleo vai atuar no desenvolvimento de tecnologias inovadoras com aplicação na produção aeroespacial e prestar serviços às empresas.

Os projetos serão desenvolvidos diretamente com as empresas e prevê também a capacitação da mão de obra local. As pesquisas para prover essas soluções tecnológicas serão desenvolvidas por meio de consórcios.

A criação do núcleo integra o pacote de renovação elaborado pelo ITA, que prevê ainda a ampliação física do instituto e aumento das vagas nos cursos de graduação.

O anúncio da doação do terreno provocou entusiasmo da mídia e de empreendedores. O empresário Marcus Herndl parabeniza à cidade pela doação do terreno e felicita o instituto. “Com toda certeza o Centro de Inovação será bem utilizado pelos alunos na prática acadêmica e também pelas escolas”, afirma Herdnl, formado no ITA em 95.

Carlos América Pacheco, reitor do instituto, destacou para a mídia que já utilizará o espaço em 2014.  Segundo ele, a expectativa é começar alguma atividade na unidade do Parque Tecnológico em 2014. “Ainda que em instalações provisórias, vamos começar a desenvolver alguma atividade lá”, conclui Pacheco.