Inflação em alta dá sustentação a juro futuro, comenta Marcus Herndl Filho

À espera do IPCA-15, de março, que será divulgado hoje, os investidores não se arriscaram a promover alterações expressivas nos juros futuros, que encerraram o pregão de ontem na BM&F entre estabilidade e ligeira alta.

A escalada dos preços dos alimentos, que já se fez sentir no atacado, deve começar bater às portas do varejo com mais intensidade daqui para frente. A média das projeções de 20 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data aponta variação de 0,76% do IPCA-15 em março, aceleração ante fevereiro (0,70%). É o que afirma o gestor Marcus Herndl Filho.

Com a perspectiva de inflação corrente em ascensão e eventual piora das expectativas, consolida-se no mercado de juros futuros a visão de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve estender o atual ciclo de aperto monetário. E essa expectativa dá sustentação às taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) mais ligados ao rumo da Selic. Ontem, o DI para julho subiu de 10,84% para 10,85% ao ano. Já o contrato para janeiro de 2015 fechou estável, a 11,25%. “Está todo mundo posicionado para uma inflação mais alta. Modelos econométricos sugeriam que haveria um arrefecimento dos preços livres em março, mas o choque de alimentos mudou tudo”, afirma Juliano Ferreira, estrategista da ICAP Brasil.

As preocupações com a inflação fizeram com que – diferentemente do observado nos mercado de câmbio e na bolsa – os boatos de que a pesquisa do Ibope traria um avanço substantivo das intenções de votos dos candidatos oposicionistas para a eleição presidencial (que não se confirmou) não tivessem grande impacto nos juros futuros. Afora um leve alívio no início da tarde, atribuída ao rumor eleitoral, viu-se pouca disposição para alteração das taxas.

Soma-se ao ambiente local conturbado a temporada de especulações sobre o momento em que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) vai começar a subir a taxa básica de juros americana, depois das declarações da presidente do Fed, Janet Yellen, na quarta-feira. Acompanhando o retorno dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), a taxa do DI para janeiro de 2017 subiu de 12,82% para 12,84%.

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